A escritora Maytê Carvalho revelou novos detalhes sobre a disputa judicial envolvendo a apresentadora Gabriela Prioli, a quem acusa de utilizar conteúdos de sua autoria em um curso on-line. Em entrevista exclusiva ao MDcast, apresentado pela jornalista Márcia Dantas, Maytê afirmou que não desejava transformar o caso em uma exposição pública, mas buscava o reconhecimento pelo trabalho que considera seu.
A ação tramita na 2ª Vara Empresarial e de Conflitos de São Paulo e pede a produção antecipada de provas para investigar possíveis semelhanças entre os livros Persuasão e Ouse Argumentar: Comunicação assertiva para sua voz ser ouvida e o curso Comunicação com Gabriela Prioli, lançado em setembro de 2025.
Segundo informações, Maytê e Gabriela mantinham uma relação de amizade e chegaram a planejar juntas um curso de oratória em 2020. Naquele período, Gabriela também escreveu o prefácio do livro Persuasão, de Maytê.
Ainda em 2020, de acordo com o relato apresentado pela escritora no processo, o marido de Gabriela, o DJ Thiago Mansur, teria entrado em contato para discutir a elaboração de um projeto editorial para outro curso de oratória. Maytê afirma que compartilhou materiais de sua produção intelectual, incluindo livros, métodos de ensino, cronograma de trabalho e projeções de faturamento.
A parceria, no entanto, não teria avançado como planejado. Segundo a versão de Maytê, em novembro de 2021, Gabriela comunicou que o projeto não seria mais desenvolvido em conjunto e sugeriu que ela trabalhasse como ghostwriter — profissional que produz textos ou conteúdos sem receber crédito público pela autoria.
Maytê afirma que recusou a proposta por não ter interesse em atuar sem o devido reconhecimento autoral. Anos depois, com o lançamento do curso de Gabriela, ela diz ter identificado semelhanças com materiais que havia compartilhado durante o período de aproximação profissional.
Quais são as semelhanças apontadas?
Entre os exemplos mencionados na ação estão possíveis aproximações entre títulos, estruturas didáticas, expressões e orientações sobre comunicação e oratória.
Um dos pontos destacados envolve o tema das falácias lógicas. No livro Persuasão, Maytê tem um capítulo intitulado “Isso é uma falácia! Como identificá-las (e como evitar cair em uma)”. Já um e-book associado ao curso de Gabriela traz o título “As principais falácias lógicas e como escapar delas”.
Outro exemplo citado no processo diz respeito à orientação para evitar encerramentos genéricos em discursos. Segundo a ação, Maytê recomenda em seu livro que o orador não termine o raciocínio com a expressão “É isso”. No curso de Gabriela, conforme o trecho reproduzido pela Folha, há uma orientação para evitar frases como “bom, era isso, acho que terminei”.
A escritora sustenta que as semelhanças não estariam limitadas a termos isolados, mas envolveriam também o encadeamento das explicações e a maneira de apresentar os conteúdos. Ela pede uma análise técnica para verificar se houve reprodução indevida de materiais protegidos por direitos autorais e se a apresentadora obteve ganhos financeiros com o conteúdo questionado.
O que Maytê busca na Justiça?
A medida apresentada é uma ação de produção antecipada de provas. O objetivo é reunir e examinar elementos que possam esclarecer a controvérsia, incluindo documentos e comparações entre os materiais.
A iniciativa não equivale, por si só, a uma condenação nem significa que o Judiciário já tenha reconhecido a existência de plágio. A conclusão depende da análise das provas e do andamento do caso.
Na entrevista a Márcia Dantas, Maytê afirma que sua intenção não era promover uma disputa pública, mas obter o reconhecimento pelo trabalho que considera ter sido utilizado sem a devida atribuição.
Gabriela Prioli nega a acusação
Procurada pela imprensa quando o caso veio a público, Gabriela Prioli negou as acusações. Em nota, sua assessoria afirmou que o conteúdo do curso é autoral, que as fontes utilizadas foram devidamente indicadas e que as alegações não correspondem à realidade.
Na ocasião, a apresentadora também declarou que ainda não tinha recebido informações oficiais sobre o processo e que soube do assunto por meio da imprensa.
Até que haja uma conclusão judicial, as possíveis semelhanças apontadas por Maytê permanecem como alegações a serem examinadas. O caso coloca em discussão os limites entre inspiração, colaboração profissional, autoria e uso de conteúdos intelectuais em produtos digitais.


