Um vídeo de Fernando Haddad (PT), gravado em janeiro de 2023, voltou a repercutir nas redes sociais nesta semana. Na gravação, o então ministro da Fazenda defende que consumidores utilizem seu poder de compra para pressionar empresas que, segundo ele, não demonstrassem compromisso com pautas ambientais, sociais e democráticas.
A declaração foi feita durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Na ocasião, Haddad afirmou que muitos brasileiros haviam deixado de consumir produtos de empresas que se engajaram em favor do governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu sou um que não consumo sem prestar atenção de quem eu estou adquirindo o produto. Eu não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromisso com essas questões”, declarou.
A fala voltou a circular em meio à repercussão de listas de comerciantes e trabalhadores identificados como apoiadores de Lula que passaram a ser alvo de campanhas de boicote após as eleições de 2026.
O episódio também ganhou destaque depois que parlamentares do PT acionaram órgãos como a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando a apuração de iniciativas que incentivam boicotes e possíveis demissões por posicionamento político.
A repercussão levantou questionamentos sobre a diferença entre a defesa do boicote a empresas por decisões de consumo e campanhas que expõem comerciantes ou trabalhadores por suas convicções políticas.
Em março de 2020, publicações nas redes sociais já convocavam consumidores a deixar de comprar de marcas que seriam alinhadas ao então presidente Jair Bolsonaro.
Entre as empresas citadas na época estavam Ypê, Coco Bambu, Havan, Smart Fit, Madero, Riachuelo, Marisa e Grendene. Em outubro de 2026, uma nova lista voltou a circular, mencionando marcas como Habib’s, Ragazzo, Drogasil, Estácio, Estrela, Marisol, Óticas Carol, Hemmer, Polishop, Ricardo Eletro, Centauro, Localiza e Bio Ritmo.
A inclusão dos nomes nas listas, contudo, não comprova, por si só, apoio político institucional dessas empresas a Bolsonaro.
O que Haddad disse em 2023
Durante o painel em Davos, Haddad afirmou que consumidores poderiam pressionar empresas por meio de suas escolhas de compra. Ele citou questões como sustentabilidade, igualdade de gênero, combate ao racismo e compromisso com a democracia.
A declaração foi interpretada por críticos como uma defesa de boicote a empresas associadas ao bolsonarismo. Na ocasião, a fala também provocou críticas de apoiadores do ex-presidente Bolsonaro.


