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ECONOMIA: próximo presidente do Brasil herdará endividamento público com 100% do PIB em 2027

O próximo presidente do Brasil terá pela frente um cenário de forte pressão sobre as contas públicas. Uma projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que o endividamento público brasileiro poderá alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Em agosto deste ano, a dívida bruta do governo geral estava em 82,9% do PIB, segundo dados do Banco Central.

A trajetória da dívida é apontada como um dos principais desafios econômicos para o próximo governo, que assumirá em janeiro de 2027. Além do crescimento do endividamento, a nova gestão terá pouco espaço no Orçamento para ampliar despesas e investimentos.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê R$ 2,576 trilhões em despesas primárias. Segundo o governo, cerca de 91,7% desse montante estarão comprometidos com despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários, pessoal e outras despesas previstas em lei.

Ministério da Economia. Fotos: reprodução

A proposta também reserva R$ 272,2 bilhões para a Saúde, R$ 141,2 bilhões para a Educação e R$ 133,8 bilhões para investimentos.

Outro ponto de pressão são os juros. A dívida brasileira é sensível ao nível da taxa Selic, e uma parcela significativa dos títulos públicos está vinculada à taxa básica de juros. Com juros elevados, o custo de financiamento do governo aumenta e dificulta a redução do endividamento.

As projeções, no entanto, variam conforme o cenário utilizado. O Banco Central citou, em relatório de junho, uma projeção de 87,8% do PIB para a dívida bruta em 2029 no cenário apresentado pelo governo no PLDO. Já a mediana das projeções do mercado apontava dívida de 83,3% do PIB em 2026 e 93,9% em 2030.

O cenário também envolve divergências nas estimativas para o resultado das contas públicas. Enquanto o governo projetou superávit primário de R$ 18,6 bilhões para 2027, a Instituição Fiscal Independente (IFI) trabalha com uma estimativa de déficit de R$ 86,1 bilhões, segundo a análise publicada pela Forbes.

Diante desse cenário, economistas ouvidos pela Forbes apontam que o próximo governo terá de lidar com o crescimento das despesas obrigatórias, a trajetória da dívida e a necessidade de preservar espaço para investimentos e políticas públicas.

O desafio fiscal, portanto, estará entre as principais questões econômicas da próxima gestão, independentemente de quem assumir a Presidência em 2027.

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